segunda-feira, 5 de outubro de 2015

5 de outubro de 2015

5 de outubro de 2015
Uma carta de esclarecimento.
Mare. É assim que a maioria me chama. No momento estou no quarto da pensão, tentando explicar, entender o que estou sentindo e a única forma que eu sei expressa-la é escrevendo. Mas como os sentimentos são intensos e confusos, me desculpe se o texto seguir o mesmo curso bagunçado.
Há exatos 8 meses eu entrei em uma “aventura” (se é que podemos chamar assim). Eu poderia muito bem ter recusado, mas talvez a pressão de ter um papel comprovando que você é apto a fazer algo, é grande.
Espere um momento. Antes de explicar o “agora”, você deve conhecer o “antes”.
Sempre fui ligada fortemente a minha família (ainda sou). Mas de todo bom há seus males. Não sei nem se deveria ser chamado de “mal”, apenas um empecilho. Quando você tem esse “bound” (laço, vinculo) muito forte com a sua família, se você parar e analisar, mais da metade das coisas que você faz, fez, vai fazer, o que você é, está ligado a eles. Eu percebi isso quando fui a homeopata e ela pediu para que eu contasse um pouco sobre mim, o que eu fazia, como eu estava. Então eu vi, minha família estava envolvida em minhas decisões, atitude e até algumas características da minha personalidade. E não me entenda mal, eu não estou falando que este é o ponto ruim, eu acho isso muito legal e fico feliz por isso, por que se você conhecesse as três pessoas maravilhosas que moram comigo, você sentiria orgulho de ser reflexo delas, assim como eu sinto.
O “problema” é que o laço é tão apertado, que para desamarra-lo, às vezes, dói, você tem que afrouxa-lo, quando você na verdade não quer, mas precisa por que você tem que sobreviver. Bem, mas você o tem que fazer. Então, com o coração apertado, engolindo palavras e lágrimas que não devem ser ditas ou derramadas, por que você deve se manter forte, não só por você, mas por eles, a gente segue o caminho que nós mesmo decidimos tomar.
Agora, estou morando em outra cidade (apenas durante a semana, mas acredite não é tão fácil como parece) para estudar. Estou fazendo faculdade de Letras em uma das melhores faculdades particulares. Sou grata por ter essa oportunidade, por estar estudando algo que eu escolhi, estar em uma pensão que tenha comida, roupa e transporte. Eu agradeço todos os dias nas minhas orações.
Mas e quando a sua escolha já não faz mais tanto sentido como antes, é frustrante. No momento, isso não me incomoda, pois sou muito nova ainda, tenho tempo para cometer erros. Começar uma faculdade, abandonar e começar outra, fazer duas ou três faculdades. Não acho que há um limite para conhecimento, mas existe um limite chamado “tempo”. Então, será que eu realmente tenho esse tempo para desperdiçar¿ Talvez não, mas prefiro passar anos da minha vida procurando um caminho que eu encontre felicidade, do que me contentar com o que é mais fácil mas que não me traga “joy” (aproveitamento).
Sabe, quando eu era pequena eu tinha muitas ambições, a maioria delas eram materiais. Mas eu não me culpo, até por que a sociedade em que vivemos é a de consumo. Agora, se você me perguntar quais são minhas ambições hoje em dia e para o meu futuro, eu quero estar cheia de energia, de amor, de paz dentro de mim. Eu quero saúde, eu quero as pessoas que eu mais amo do meu lado, eu quero na simplicidade dos momentos encontrar a razão para continuar com a vida que eu levo. Se há um motivo para desejar o dinheiro, é para viajar. De resto, com o tempo a gente se ajeita, a gente arranja trabalho. Agora, esses sentimentos que nos enchem nós vamos colhendo com o que a gente planta.
Eu estou falando dos meus anseios por que, antes, dentro deles estava a faculdade. Mas eu me vejo tão nova para saber o que eu quero. Eu nem sei exatamente quem eu sou, no sentido mais profundo que se possa imaginar.
Se eu pudesse escolher, eu estaria viajando pelo mundo, conhecendo lugares e me descobrindo. E quando eu voltasse, estaria com mais respostas ou talvez, voltaria até com mais perguntas. Eu não sei. Mas acho que seria a melhor forma de aproveitar o momento, aproveitar que ainda sou nova (acabei de fazer 18 anos), esse é o momento de cometer erros, se perder na estrada (por mais assustador que seja), se confundir com a língua e parecer que nunca mais vai conseguir sair daquele país, ficar apavorada por que esqueceu a mochila em cima da cama do hotel, é se apaixonar em um noite por um estranho que parece te conhecer mais do que você mesma, é ir em festas estranhas com gente esquisita, é você estar do outro lado do mundo desejando a todas as estrelas que te levem de volta para sua casa no colo da sua mãe e no abraço do seu pai. Talvez eu esteja me precipitando, talvez você esteja pensando “O que ela sabe da vida¿ Muito nova, tem muito o que aprender” (exatamente!! E a gente só aprende, errando), ou até que sou mimada e folgada querendo viajar por ai e esquecer os estudos, pois meu bem, tem escola melhor do que a vida¿
Não sei, mas toda semana o meu lado “selvagem” grita mais alto e toda vez eu tenho que acalmá-lo e dizer “espera, a nossa hora vai chegar” ... E enquanto essa hora não chega, nós vamos seguindo, correndo atrás do que poderia ser deixado para depois, se eu pudesse escolher, mas as vezes, devemos dar prioridade a certas coisas por que a realidade, de manhã bate à porta, cobrando de você e é sempre bom estar preparada.
Talvez seja um desabafo ou uma carta a mim mesma. Mas precisava tentar entender o que estava sentindo, obrigada mais uma vez “palavras” por expressarem o que eu não estava conseguindo organizar em pensamentos claros na minha cabeça em turbilhões.
Com amor, Mariana. 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

James

Saindo da rotina.
Hoje resolvi contar por quem meus ouvidos clamam. 
O nome dele é James Keogh, mais conhecido como Vance Joy.
Ele escolheu esse nome do livro "Bliss" do Peter Carey, o personagem é um contador de histórias.
Compartilhar um dos músicos que eu mais gosto é dividir um pouco de quem eu sou, por que o que você escuta é o que você é. hahahaha eu li isso em algum lugar e achei interessante. 
 Bom, na maioria das suas músicas ele fala de um amor que ele teve, as dificuldades que eles passaram, as hesitações, a forma como ele se sente sobre esse alguém; Mas também fala de comportamentos que ele teve e como talvez a pessoa que ele ama não entenda, mas ele tenta protege-la assim mesmo; fala de como ele a vê, como ela o faz se sentir; as dores que sentiu por ver que seu amor não era valorizado; o sentimento de não saber quem ele é, mas que precisa dela para poder descobrir; em outras letras, ele questiona ela do por que ela ainda estar com ele, sendo que ele não merece ela; uma outra, ele conta que as vezes abrimos mãos do nosso verdadeiro amor devido as consequências que isso podem gerar; depois, ele fala de como ele da o melhor de si para satisfazer o amor dele; há uma outra, em que fala de alguém que já se foi e como ele sente saudades; a esperança que ele tem de recuperar o amor da vida dele; conta do que ele sempre quis ser e como ele não quer decepcionar ninguém e infinitas letras de intensos sentimentos. 
Eu gosto do som da voz dele, é como receber um abraço. A voz dele tem um tom suave e ele parece cantar com sinceridade. 
Eu gosto das letras dele por que ao mesmo tempo que são intensas e com temas 'cheesy', o ritmo é animado, que você quer cantar até você não ter mais voz.
Bom, talvez você possa não gostar, mas com certeza deveria experimentar. E se for, escute Riptide, é um ótimo começo. 
PS: Eu chamo essa música como metáfora do amor, a musica inteira entre linhas para se divertir e ver como o amor é na verdade confuso. Mas é como dizem ... "A vida é como um filme do David Lynch, você não entende o que esta acontecendo, mas na maior parte do tempo você esta aproveitando" Isso também se aplica ao amor. 

terça-feira, 9 de junho de 2015

Saudade

Você começa a realmente entender o significado dessa palavra quando você tem que crescer.
Em um ano de tantas mudanças na minha vida, pela primeira vez eu não senti ansiedade e desespero, mas saudade.
Um sentimento novo? Não, imagina impossível achar alguém que nunca tenha sentido.
Mas eu to falando de uma saudade constante, que não te dói, mas te arranca sorriso por lembrar da época tão boa que não volta mais, daquela pessoa que você via todos os dias, de como você via as coisas naquela época.
Morando longe de casa, com pessoas totalmente diferentes de você, em uma cidade com outro ritmo da sua antiga e você ta lá, responsável pelo seu próprio nariz.
Todo dia eu agradeço por estar onde estou e estar no caminho certo para onde eu quero chegar ... quanto a saudade, bem alguns dias são mais difíceis que outros.
Tem esse trecho que eu ali em algum lugar em que ele diz assim: "O que eu faço com a saudade? Tem dia que eu faço besteira, tem dia que eu faço caipirinha. Depende muito ... Hoje, eu fiz brigadeiro." Quando eu li, não podia me identificar mais. De fato, tem dias que de tanta saudade acabo pensando em desistir e voltar pro meu porto seguro; há outros em que ela é forte, que adormece os músculos e aqueles dias em que ela é doce, gostosa, você se sente bem por que você teve algo especial, mas tão especial que é difícil ter que ficar longe.
Mas é, depende muito .. depende de como a saudade vai bater na minha porta e ir me atravessando.

sábado, 30 de maio de 2015

Eu amo você quando você esta cantando essa música

"Sabe quando você acorda naquele dia bem frio e sua cama esta muito gostosa e você diz 'De jeito nenhum!! Não to pronto pra isso'? É como eu estou me sentindo agora ..
Ontem você me contou que ia embora.
Eu queria poder ter dito coisas melhores do que "Não, não, não, não to acreditando!". Mas, como você sabe eu sou melhor escrevendo do que falando ..
Eu resolvi escrever essa carta, pra te entregar no dia em que eu teria que realmente dizer adeus .. Mas esse adeus não significa para sempre. Significa eu vou sentir a sua falta até a gente se ver de novo!
Obrigada por ter me proporcionado as melhores risadas, momentos deliciosos ao seu lado, você é muito querido, sua energia é contagiante e com certeza vou sentir falta disso ...
É impossível ouvir Riptide sem lembrar de você, agora mesmo estou ouvindo e ta impossivel não chorar, mas não é de tristeza, é por que a gente tem sorte de ter algo por você que seja tão dificil de dizer adeus ..
Não quero que essa carta seja triste nem nada,
Só quero que você saiba o quanto eu, os meninos, todos vamos sentir a sua falta.
Mas eu to muito feliz ao mesmo tempo por que é uma oportunidade ótima pro seu pai e sua família, é como eu falei pra você, as vezes a gente tem que abrir mão de algumas coisas para se ter outras.
Mas vai na fé, que quando você voltar, a gente vai estar aqui te esperando com um sorriso no rosto e de braços abertos pra te dar aquele abraço!
Com muito amor, aperto no coração, sinceridade,
Mari.
I love you when you're singing that song.
PS: Volta logo, a gente ainda vai cantar muito juntos. "

Essa é a carta que eu escrevi para um grande amigo que teve que se mudar para tão longe de mim.